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  <title>aqui agora sempre</title>
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  <pubDate>Thu, 18 Jun 2009 07:04:00 GMT</pubDate>
  <title>Para ver-Satyricon(1969) de Federico Fellini</title>
  <author>aquiagorasempre</author>
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  <description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Três malandros:Encólpio,Ascilto e Giton, viajam pelo império romano durante o reinado de Nero(54-68 d.c.),vivendo as mais bizarras e absurdas aventuras.Resumindo assim,Satyricon,uma das obras primas do grande Federico Fellini,pode parecer mais um desses filmes que se passam na antiguidade clássica.Mas ao adaptar a narrativa (na verdade um fragmento de uma obra muito mais extensa) atribuída a Petronius Arbiter(um aristocrata da corte imperial),Fellini realizou um de seus filmes mais contundentes e oníricos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;            A sociedade retratada em Satyricon é a do império romano então &apos;senhor do mundo&apos;,no auge de seu poder e esplendor,ao mesmo tempo em que emergiam os primeiros sinais da decadência irreversível.Nessa época,dominada pela ostentação,pela opressão política e pela corrosão social,os romanos,por assim dizer,deitavam-se sobre a cama dourada propiciada pelo dinheiro vindo de todas as partes do mundo conhecido e dominado a ferro e fogo pelo poderoso exército do império.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A riqueza(imensa e usufruída por poucos)dava o tom de um modo de vida direcionado inteiramente para o prazer imediato(fosse ele de qualquer natureza)a qualquer custo.A elite e a classe média instruída enxergavam nos prazeres o único alento em um mundo brutal e sem os deuses em que não acreditavam mais;a chamada &apos;ralé&apos;(os cidadãos romanos pobres) se apertavam nos subúrbios e nos cortiços das grandes cidades do império,sempre pronta para os horrores do circo e para a exigência de mais benefícios e menos trabalho;e os escravos,vistos como &apos;seres sem alma&apos;,meros &apos;animais de carga&apos;,esfalfavam-se para atender seus donos nas mais absurdas e inomináveis exigências.              Em plena era &apos;flower power&apos; do final dos anos 60,Fellini realiza Satyricon de maneira histriônica,quase operística,com cores fortes em meio às sombras.Seus três personagens principais passeiam por um mundo que oscila entre o sonho e o pesadelo,em cenários de um requinte seco,de tons lavados.Todo o furor suicida da elite romana e de seus párias nos é mostrado de uma maneira única,psicodélica,estonteante.Sem nenhum tom moralista ou moralizante,o diretor italiano mostra sem véus a opressão,a desesperança,o desprezo pelo outro,a grosseria de uma elite que se julga dona de valores inquestionáveis;mas que está perdida e nem mesmo sabe disso.Uma obra de protesto contra a mercantilização da vida e do ser humano,contra os que se pretendem ser o &apos;supra sumo&apos; sem se dar conta que a opressão,de qualquer natureza,um dia cobra seu preço.Uma análise profunda da decadência de todos os sistemas que se auto- outorgam o título de organizadores e intérpretes de uma sociedade.Um apólogo contra a dominação ,contra o cinismo dos que se acham melhores que o &apos;resto&apos;.Uma obra prima para ser vista com atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width=&quot;445&quot; height=&quot;364&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/ptq4GUXwSnc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;border=1&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowscriptaccess&quot; value=&quot;always&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/ptq4GUXwSnc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;border=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowscriptaccess=&quot;always&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; width=&quot;445&quot; height=&quot;364&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;</description>
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