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Jun 09
publicado por aquiagorasempre, às 11:06link do post

Há poucos dias,eu estava em um ponto de ônibus na zona sul de Belo Horizonte,quando se aproximou de mim um rapaz .Estava incrivelmente sujo,desse sujo nauseabundo de quem não toma banho há tempos.As roupas talvez tivessem sido roupas boas um dia.Mas o que mais me chamou a atenção foi o semblante devastado,cadavérico,e ao mesmo tempo com algo como que a lembrança de uma outra pessoa que um dia ele tivesse sido.Me pediu um real.A voz era baixa,quase inaudível.Olhei para ele,e não sei porque,pensei-esse cara não é um mendigo.É alguma outra coisa.Disse a ele que não tinha um real(o que é era verdade),e ele logo pediu à pessoa mais próxima.Pouco depois,o rapaz do carrinho de cachorro quente comentou com as pessoas no ponto:-Coitado,é 'crackeiro' de carteirinha,a família é 'de bacana',leva pra casa,interna em clínica,ele foge,correm atrás dele,acham novamente,ele foge de novo,por aí vai.Pensei no pobre rapaz,que não teria mais de vinte anos,no inferno pessoal em que vivia,atrelado a uma necessidade exterior que lentamente o destruía,pensei nos momentos de angústia que teria,pensando em uma outra vida que poderia ter existido não fosse o crack cavar lentamente seu buraco que vai dar na destruição do corpo,da mente,do espírito.E penso também nos pais,na mãe,que certamente deve se desesperar.
A história desse rapaz ilustra uma das maiores discussões contemporâneas:o uso e o abuso de drogas e seus efeitos devastadores no tecido social.Acredito que hoje,alguém dizer que 'as drogas abrem a cabeça' ou 'todos deveriam experimentar para ver como é',são mais que afirmações absurdas,frases destituídas de sentido,são exemplos da indiferença pelo sofrimento alheio,tanto do usuário quanto de sua família.
O problema das drogas no Brasil assumiu,na minha opinião,um aspecto tão catastrófico,que não há mais espaço para paliativos.O entrelaçamento do uso de drogas com a violência urbana,adquire aspectos cada vez mais preocupantes.O congresso nacional(que teoricamente deveria velar pelo bem estar dos cidadãos),nada faz para mudar o atual estado de coisas.Nao entendo o desinteresse dos políticos por esse assunto tão importante.Nós,como sociedade,devemos mudar a mentalidade,e pensar que as drogas REALMENTE causam muito sofrimento mental e físico,implosão dos laços familiares e sociais,violência sempre gerando mais violência.A caretice hoje é dos advogados do'liberou geral',que tentam passar por cima da realidade que os circunda a todo momento,sabe Deus movidos por quais motivos.É preciso repetir sim,sempre:DROGA MATA,e mata de muitas formas,algumas lentas,outras rápidas.E podem dizer:ele é careta sim.Acreditem,a droga não é libertação,é prisão física e psíquica,não é 'coisa de gente descolada',é coisa de gente que quer sofrer e fazer a familia e os amigos sofrerem.Engaje-se contra as drogas,não engane a si mesmo-elas são uma rua sem retorno.Fique na real,seja você mesmo(a).

Muito forte a história desse rapaz, James... e o pior é pensar que existem milhares como este nas ruas de nossas cidades, ali mesmo na esquina de casa. Parabéns pela postagem!

Tbm estou participando da blogagem coletiva. Se puder, me faça uma visitinha.

Há braços
Paulo
Paulo Roberto Montanaro a 26 de Junho de 2009 às 16:21

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