01
Mar 09
publicado por aquiagorasempre, às 19:13link do post | comentar | ver comentários (1) | |

Traço,sozinho,no meu cubículo de engenheiro,o plano,

Formo o projeto,aqui isolado,

Remoto até de quem eu sou.

Ao lado,acompanhamento banalmente sinistro,

O ti-tac estalado das máquinas de escrever.

Que náusea da vida!

Que abjeção esta regularidade!

Que sono este ser assim!

Outrora ,quando fui outro,eram castelos e cavalarias

(ilustrações,talvez,de qualquer livro de infância),

Outrora,quando fui verdadeiro ao meu sonho,

Eram grandes paisagens do Norte,explícitas de neve,

Eram grandes palmares do sul,opulentos de verdes.

Outrora...

Ao lado,aompanhamento banalmente sinistro,

O tic-tac estalado das máquinas de escrever,

Temos todos duas vidas:

A verdadeira,que é a que sonhamos na infância,

E que continuamos sonhando,adultos,num substrato de névoa;

A falsa,que é a que vivemos em convivência com outros;

Que é a prática,a útil

Aquela em que acabam por nos meter num caixão

Na outra não há caixões nem mortes.

Há só ilustrações de infância:

Grandes livros coloridos,para ver mas não ler;

Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.

Na outra somos nós,

Na outra vivemos;

Nesta morremos,que é o que viver quer dizer.

Neste momento,pela náusea,vivo só na outra...

Mas ao lado,acompanhamento banalmente sinistro,

Se,desmeditando,escuto,

Ergue a voz o tic-tac estalado das máquinas de escrever.









07
Fev 09
publicado por aquiagorasempre, às 09:45link do post | comentar | |

Inconstância
Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
ă igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca

01
Fev 09
publicado por aquiagorasempre, às 12:02link do post | comentar | |

já neste tempo o lúcido planeta

Que as horas vai do dia distinguindo,

Chegava à desejada e lenta meta,

A luz celeste às gentes enconbrindo,

E da casa marítma secreta

Lhe estava o Deus Noturno a porta

[abrindo

Quando as infidas gentes se chega-

[ram

Dentre eles um,que traz enco-

[mendado

O mortífero engano,assim dizia:

Capitão valeroso que cortado

Tens de Netuno o reino e salsa via,

O rei que manda esta ilha,alvoro-

[çado

Da vinda tua tem tanta alegria

Que não deseja mais que agasalhar-

[te

Ver-te e do necessário reformar-te.


(Luís de Camões-Os Lusíadas-Canto Segundo)


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