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Fev 09
publicado por aquiagorasempre, às 11:40link do post | comentar | |

Nenhuma descoberta da genética reduz ou supera o que Proust sabia do fascínio ou do fardo da linguagem;cada vez que Otelo nos recorda a ferrugem do orvalho na lâmina brilhante,sentimos mais da transitória realidade sensorial na qual nossa vida deve transcorrer do que é tarefa ou ambição da física transmitir.Nenhuma sociometria da motivação ou da táticas políticas se compara a Stendhal[...]

A luz que temos sobre nossa condição essencial e íntima ainda é concentrada pelo poeta.[...]

A linguagem de Milton ou Shakespeare pertence a uma época da história na qual as palavras

detinham o controle natural da experiência de vida.O escritor de hoje tende a usar muito menos

palavras,e muito mais simples,tanto porque a cultura de massas diluiu o conceito de instrução

como porque diminuiu extraordinariamente o conjunto de realidades das quais as palavras podem dar conta e modo necessário e suficiente.[...]

O que mais -além de meias verdades,grosseiras simplificações ou trivialidades-pode,de fato ser comunicado àquela massa semiletrada que a democracia do consumo trouxe para o mercado?[...]

Não será importante hoje,para a sobrevivência do sentimento,que alguém conheça outra língua viva como um dia foi importante conhecer de perto os clássicos ou as Escrituras?[...]

Inexistem palavras para a experiência mais profunda.Quanto mais tento me explicar,menos me entendo.Evidentemente,nem tudo é indizível em palavras,apenas a verdade viva.[...]

(do livro'Linguagem e Silêncio',de George Steiner,Companhia da Letras,tradução de Gilda Stuart e Felipe Rajabally)

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